A diversidade funcional vem se destacando como uma das mais promissoras maneiras de se medir a diversidade biológica, por incorporar traços funcionas que possuem algum valor ecológico e que possuem alguma importância na manutenção dos serviços ecossistêmicos. Sendo assim, a proposta discutida por (Villéger, Mason, and Mouillot 2008) é de utilizar três índices independentes e complementares para descrever a diversidade funcional de uma determinada comunidade.
Os índices são:
A escolha dos traços funcionais são de extrema importância para a descrição da diversidade funcional de uma comunidade, buscando evitar redundância entre os mesmos. As análises a seguir suportam tanto dados quantitativos (peso, altura, comprimento e etc.), como qualitativos (cor, sexo, estágio de desenvolvimento e etc.).
Levando em conta que o Nicho funcional possui T dimensões definidas por T eixos, cada eixo defino por cada traço funcional, a riqueza funcional de uma comunidade (Frich) pode ser calculada como o espaço preenchido por determinada comunidade. Cada espécie representa um ponto no espaço, assim estima-se o volume preenchido no espaço T dimensional. A uniformidade funcional (Feven) pode ser entendida como a regularidade com que o espaço é preenchido pelas espécies, esse índice vai de 0 a 1, sendo que 1 representa uma comunidade onde as espécies estão todas equidistantes no plano funcional. Por fim, a divergência funcional (Fdiv) refere-se a quão divergentes as espécies são dentro de uma comunidade. Esse índice também varia de 0 a 1, sendo que 1 representa quando as espécies mais abundantes estão distantes do “centro de gravidade” do espaço funcional.
Para maiores detalhes sobre os índices funcionais consultar Velligér et al.(2008)
Para isso será necessário utilizar os seguintes pacotes:
require(FD)
require(tidyverse)
Para calcular os índices de diversidade funcional é necessário 2 objetos, (1) contendo as variáveis funcionais nas colunas e as espécies e (2) contendo a abundância das espécies em cada comunidade. Para isso iremos utilizar os dados presentes no pacote FD
data("dummy") #carregar dados
dummy$trait # traços morfológicos
## num1 num2 fac1 fac2 ord1 ord2 bin1 bin2
## sp1 9.0 4.5 A X 3 2 0 1
## sp2 8.1 6.0 A Z <NA> 1 0 1
## sp3 NA 2.3 C Y 5 3 1 1
## sp4 3.2 5.4 B Z 1 7 0 0
## sp5 5.8 1.2 C X 2 6 NA 0
## sp6 3.4 8.5 C Y 2 1 1 1
## sp7 7.5 2.1 B X 3 2 1 0
## sp8 4.3 6.5 <NA> Z 1 3 0 1
dummy$abun #matriz de abundância
## sp1 sp2 sp3 sp4 sp5 sp6 sp7 sp8
## com1 1 1 0 0 4 2 0 0
## com2 0 0 0 2 1 0 0 5
## com3 2 0 0 0 0 1 0 3
## com4 1 0 7 0 0 0 0 0
## com5 0 0 2 3 3 0 0 0
## com6 0 3 0 0 5 6 1 6
## com7 3 5 0 3 0 0 0 0
## com8 0 0 0 0 6 2 1 2
## com9 4 1 1 3 0 0 2 0
## com10 0 4 1 0 0 0 6 1
dbFD()Essa função permite calcular de uma única vez os três índices descritos anteriormente.
ex1<-dbFD(dummy$trait, dummy$abun)
ex1$FRic # Functional Richness
## com1 com2 com3 com4 com5 com6
## 0.174201349 0.102097174 0.002157642 NA 0.143151204 0.231083703
## com7 com8 com9 com10
## 0.073683375 0.174220613 0.337446205 0.228904118
ex1$FEve #Functional Evenness
## com1 com2 com3 com4 com5 com6 com7 com8
## 0.8432334 0.4628635 0.8659657 NA 0.9081209 0.8651734 0.7681991 0.7606650
## com9 com10
## 0.7994638 0.4944601
ex1$FDiv #Functional Divergence
## com1 com2 com3 com4 com5 com6 com7 com8
## 0.8429221 0.8593250 0.6303031 NA 0.7631346 0.8966687 0.8356095 0.8681163
## com9 com10
## 0.7015118 0.9712554
Podemos representar visualmente a riqueza funcional (Frich) da seguinte maneira:
trait.d <- gowdis(dummy$trait) #Calcular uma medida de distância
nmds<- metaMDS(trait.d) #utilizar uma análise de ordenação
##criar data.frame com os valores da ordenação
MDS1<- nmds$points[,1]
MDS2<- nmds$points[,2]
nmds<- data.frame(MDS1 = MDS1, MDS2 = MDS2)
#calculando volume do espaco funcional
hull <- nmds %>%
slice(chull(MDS1, MDS2))
#Plotando o gráfico
ggplot(nmds, aes(x=MDS1,y=MDS2)) + geom_point(size=3) + geom_polygon(data = hull, alpha = 0.5,col= "black", fill = "olivedrab4")+ theme_classic() + labs(title = "Functional Richness",x = NULL, y = NULL)
Com esses três índices é possível traçar um melhor panorama da comunidade e identificar mudanças ao longo do espaço e/ou tempo.
Qualquer dúvida, correção ou sugestão pode ser encaminhada para gfellipe5@gmail.com
Villéger, Sébastien, Norman WH Mason, and David Mouillot. 2008. “New Multidimensional Functional Diversity Indices for a Multifaceted Framework in Functional Ecology.” Ecology 89 (8). Wiley Online Library: 2290–2301.